navegante.
através de uma realidade distorcida, sinto uma felicidade que não é minha,
desejos que não são meus, mas também não sei de quem são.
senti que havia convicção em tudo que queria há anos atrás,
por hora, não acredito na certeza que inventei.
me perco quando busco encontrar quando é que substituí meus sonhos,
quando também vesti essa máscara cujo já estou deixando de conhecer.
como uma garrafa lançada ao mar, que navego oscilante através da imensidão azul,
por águas desconhecidas, onde até então, ninguém cedeu a mão,
ou quem a cedeu, não encontrou conteúdo necessário e sentiu-se desinteressado,
jogando novamente nas ondas, estas que não conseguem deixar de me tumultuar.
grito por socorro, mas nunca suficientemente alto para que acreditem ou ouçam o chamado.
posso sentir o corpo padecer, já não tenho tanta força para me apoiar, o que resta-me é esperar,
ou a onda mais forte que afunde, ou finalmente, as mão daquele para quem foi destinada a garrafa.
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